Jutiça espacial em Maputo – Uma conferencia organisada pela AFRAMO-CHAS

No dia 22 de Maio em Maputo, teve lugar o seminário cientifico sobre estudos urbanos “Justiça espacial, desafios fundiários e imobiliários nas cidades da África Austral ” organizado pela AFRAMO-CHS e o ISCTEM. O seminário contou com a presencia de numeroso publico que desfrutou das palestras dos professores convidados

Abriu o seminário a Prof. Doutora Arq. Bertoli que mostrou a evolução das cidades brasileiras no ultimo século no mesmo tempo que indicou os problemas que provocam escolhas erradas. “Os problemas urbanos são resultados de escolhas e temos que reflexionar nas conseqüências antes de decidir” foi a conclusão final desta interessante palestra.

Continuou o seminário o Prof. Doutor Eng. Vales que baseou sua palestra sobre a cidade de Maputo mostrando cartografia histórica com um análise das razoes da construção da cidade informal. Os instrumentos de planeamento top-bottom importados de Europa não aprendem da realidade das cidades africanas e não oferecem soluções aos problemas das pessoas, portanto surge a cidade informal. O Prof. apontou que é preciso propor novos instrumentos de planeamento com um melhor conhecimento da cidade africana. Durante o turno de perguntas o Prof. também explicou que o motor das cidades é a economia e que a cidade cresce conforme o tipo de economia, no caso das cidades africanas a economia e majoritariamente informal e portanto a cidade que se está a produzir é uma cidade informal.

A palestra final foi para o Prof. Catedrático Gervais-Lambony que explicou o origem do termino “Justiça espacial” antes de reflexionar sobre a dimensão política e ideológica da cidade. O espaço urbano e um produto social que esta a mostrar as injustiças da sociedade onde moramos, portanto também temos trabalhar para mudar os valores da sociedade para poder transformar nossas cidades. O direito das pessoas a ficar na cidade, “Right to the city” de Don Mitchell, também foi abordado durante a apresentação. O Prof. Ilustrou sua palestra com imagens altamente expressivas de Tuca Vieira (Paraisopolis) para mostrar as desigualdades das cidades contemporâneas em Brasil, situações que se produzem igualmente nas cidades africanas. Para terminar o Prof. também mostrou as provocativas imagens dum parque publico antes e depois duma intervenção urbana em Lomé (Togo) onde um espaço publico aberto lugar de encontro de pessoas transformou se num espaço fechado, onde e preciso pagar para entrar e que naturalmente fica vazio privando as pessoas da possibilidade de reunir se. A conclusão final foi que os espaços públicos conseguem reduzir uma parte das desigualdades existentes na cidade já que são espaços abertos onde é possível interagir e encontrar se, independentemente do nível econômico ou status social.

O turno de perguntas também aportou um interessante debate sobre a importância da parte conceptual de nossas cidades e a necessidade de refletir a traves do planeamento formulando perguntas básicas: por que, para que, como. O Prof. Vales invitou a formular estas três perguntas para a questão da privatização da terra em Moçambique, uma das singularidades existentes em Moçambique.

Em definitiva, assistimos a um seminário de alto nível que gostaríamos tenha continuidade no futuro e que poda converter se num ponto de encontro dos diferentes agentes e profissionais que estamos a intervir na construção da cidade.

Professionalisacao e Segura para os motoristas em Mocambique: Uma proposta de reforma

No dia 04 de abril do corrente ano, a WAZA facilitou um encontro para a Movecoa ; Associação dos motoristas em Moçambique. O tema de agenda era a formalização da carteira de motoristas.

Este evento esta ligado ao projecto da WAZA do Observatório de transporte que esta actulamente no processo de analise pelas diferentes partes interessada da Sociedade Civil, académicos e o sector privado. Associação dos motoristas em Moçambique – MOVECOA foi criada recentemente pelo Sr. Sebastiao Thovela com o intuito de profissionalizar a actividade de motoristas tanto de passageiros como de carga. Este primeiro encontro de entre vários a serem realizados a nível do Pais, pretendia auscultar a opinião publica com relação a este assunto. Estiveram presentes vários membros da sociedade civil e representantes do INATER.

Com a formalização da actividade dos motoristas, seria possível resolver as várias preocupações levantadas durante o encontro como:

  • Desafios actuais que passam desde a legislação da profissão de motoristas;
  • Desenvolvimento de uma entidade que possa certificar os motoristas;
  • Criação de uma base dados que irá servir diversas entidades interessadas como por exemplo apoiar o governo a obter estatísticas de quantos motoristas activos existem no mercado. A mesma, poderá também servir como uma ferramenta e plataforma adequada para o recrutamento e controle dos motoristas.

Este foi o primeiro de muitos encontros que se pretende realizar a nível nacional para que se possa desenvolver uma ferramenta que englobe e resolva as necessidades a escala nacional.